"Buteco da Bola" Os clubes brasileiros e o sonho da casa própria

A reforma dos estádios para a Copa do Mundo de 2014 não trouxe benefícios para os clubes. As empresas que realizaram as reformas cobram valores elevados para ter retorno do investimento. Assim, os clubes precisam aumentar o preço dos ingressos e o torcedor, principal interessado no futebol, fica prejudicado. No último clássico, vencido pelo Atlético por 3 a 1 sobre o Cruzeiro, o Independência registrou um público de 17.251 torcedores que gerou uma renda de R$ 569.140,00. Descontente com a proposta feita pela Minas Arena, administradora do Mineirão, o Atlético firmou contrato com a BWA, empresa que administra o Independência. O clube não teve lucro em nenhum ano jogando no Horto desde à reinauguração, 2012. Mas também não teve prejuízo. Além disso, a diretoria alvinegra trabalha para viabilizar a construção de um estádio próprio, no bairro Califórnia, região Noroeste de Belo Horizonte. Os dirigentes do clube entendem que ter casa própria é fundamental para a saúde financeira de um time de futebol.

 

Para se ter melhor ideia da situação, Cruzeiro e Coritiba jogaram no Mineirão no dia 25 de junho. O público presente foi de 14.190 torcedores. Destes, 11.770 pagaram ingresso, o que gerou uma renda de R$ 210.928,00. Sabe-se que o público não foi bom, mas esse não é o pior dos problemas. O Cruzeiro teve, mais uma vez, prejuízo financeiro. O clube precisa desembolsar mais de duzentos mil reais por jogo para jogar no Gigante da Pampulha. Assim, para não ter prejuízo, precisa sempre de um bom público. No ano passado, a Minas Arena, consórcio que administra o estádio, entrou na justiça contra o Cruzeiro para cobrar uma dívida que hoje passa dos R$ 9 milhões. Segundo a empresa, o débito do time celeste é referente a despesas de operação, que incluem gastos com funcionários, suporte, segurança, água e luz. O clube rebate. Diz que se valeu de uma cláusula no contrato que esclarece que, se fizerem qualquer medida que venha a beneficiar qualquer outro clube, o Cruzeiro terá direito a esse mesmo benefício. A diretoria celeste refere-se à final da Libertadores de 2013, quando o Atlético jogou no Mineirão sem desembolsar nenhum centavo.

 

E os exemplos não param. O Flamengo, também descontente com a administradora do Maracanã, reformou o estádio da Portuguesa Carioca na Ilha do Governador e vai mandar a maioria dos seus jogos lá. A Ilha do Urubu, como foi batizado, tem capacidade para 20.215 torcedores. O Flamengo fez um contrato de três anos - renovável por mais três temporadas - com a Portuguesa para utilizá-lo. O custo da reforma e o valor pago pela parceria são infinitamente menores do que os do Maracanã. Para jogar no estádio mais famoso do mundo, cada clube precisa desembolsar, no mínimo, 450 mil reais. Se o público for pequeno, o prejuízo é certo. O Botafogo correu para o estádio Nilton Santos. O Vasco abraçou São Januário como principal casa e o Fluminense estuda alternativas. Além de tentar uma parceria com o Botafogo para jogar no Nilton Santos, o Flu vem trabalhando para construir um estádio no Parque Olímpico. Outra opção é a reforma do antigo estádio das Laranjeiras.

 

O certo é que ter casa própria no futebol brasileiro é um diferencial importante para os clubes. Em São Paulo, os quatro clubes grandes têm seu estádio. Também no Sul e no Nordeste todos os grandes possuem casa própria. Assim, ou os consórcios que administram os estádios reformados para a Copa propõem melhores condições para os clubes jogarem, ou cada um terá que correr atrás da sua própria casa. O certo é que como está, não pode continuar.

 

 

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